DEZ MONTADORAS DE CARROS E CAMINHÕES JÁ SUSPENDERAM A PRODUÇÃO: O QUE ESPERAR DAQUI PRA FRENTE?

Nas últimas semanas, dez montadoras anunciaram o fechamento temporário de suas fábricas: Chevrolet, Volkswagen, Nissan, Toyota, Renault e Honda,  além das fabricantes de caminhões Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Scania e Volvo. O principal argumento das montadoras é que a suspensão temporária na produção acontece diante da piora da pandemia no Brasil e o novo período de restrições mais rígidas.

Efeitos da pandemia

A paralisação na linha de produção das fábricas, de forma geral, vai durar em torno de 15 a 20 dias, em função das maiores restrições impostas pelos governos estaduais ao redor do país. Segundo parte das fabricantes que anunciaram a suspensão da produção, o objetivo é contribuir para a diminuição da circulação de pessoas, como Volkswagen e Toyota, por exemplo.

Falta de peças

Outro problema significativo em meio à pandemia é a falta de peças, que está atingindo fabricantes não apenas do Brasil, mas do mundo todo — especialmente dos chamados semicondutores.

Essas peças são usadas em diversos segmentos, mas em carros ou mesmo caminhões são responsáveis por integrar sistemas, estão presentes em placas de vídeo etc. Ou seja, o funcionamento tecnológico do veículo — a tela touch presente em vários carros usa semicondutores, por exemplo. Entre os exemplos dessas peças estão microprocessadores, chips, nano circuitos, LEDs, entre outros produtos.

Grande parte dos setores industriais estão caminhando para a digitalização, o que exige um volume adicional de semicondutores. Ou seja, não apenas o setor automotivo demanda esse tipo de peça, mas também setores de eletroeletrônicos, videogames, entre outros. Com a pandemia, no início do ano passado, as fabricantes de carro ficaram fechadas no Brasil entre abril e junho, e para evitar prejuízos financeiros cortaram as encomendas de semicondutores antecipando a queda nas vendas.

De fato, a queda na produção aconteceu e chegou a reduzir 99% em abril, menor nível de produção desde 1957, segundo a Anfavea.

Porém, quando as montadoras cancelaram a demanda de semicondutores em função da pandemia, as empresas que fabricam esse tipo de material redirecionaram os volumes para outras indústrias, como a de videogames e de smartphones, que também utilizam esse material e tiveram mais demanda em meio ao isolamento social.

A GM anunciou no fim de fevereiro que daria férias coletivas em março para todos os trabalhadores da área de produção da fábrica de Gravataí (RS) e, na sequência, adotaria o sistema de lay-off (suspensão temporária de contratos) por um período que poderia chegar a cinco meses justamente pela falta de peças.

Demanda baixa

Segundo dados da Fenabrave, entidade que representa as associações de veículos, no acumulado do ano até fevereiro foram emplacadas 320.793 unidades no país. Na comparação com o ano passado, o número representa uma queda de cerca de 15%, confirmando o esfriamento do mercado, com o enrijecimento das quarentenas.

Expectativas para 2021

Dado o contexto da atual paralisação, é importante entender o impacto desse período para o ano das montadoras. Uma retomada sólida vai depender, principalmente, do quadro sanitário nacional, e claro, da chegada das peças. Mas se tivermos uma evolução positiva com queda no número de casos e mortes nas próximas semanas, a tendência é que essas fábricas voltem a funcionar.

Segundo as estimativas da Jato Dynamics, o crescimento do setor automotivo para este ano era de cerca de 20%, para 2,4 milhões de emplacamentos até o fim do ano. Com essa paralisação, no entanto, já sabemos que não será possível atingir esse patamar. Vamos depender também da velocidade de vacinação: quanto mais rápido o cronograma andar, mais rápido a economia como um todo tende a se recuperar.

Fonte: InfoMoney